Febre robótica

segunda-feira, 31 de maio de 2010


Os robôs vão dominar o mundo em 2050? A máquina vai, finalmente, substituir o Homem? Apesar de a área da robótica estar em ascensão, as questões parecem ainda não reunir consenso junto daqueles que vão ditar o destino de amanhã. Como se pode ver pelo Vox-Pop acima apresentado, os jovens dividem-se por entre crenças de que o mundo será “completamente robotizado”, com indústrias a trabalhar apenas com máquinas, e convicções que não colocam em causa a hegemonia do Homem no planeta. Não há, por isso, motivos “para nos preocuparmos”.

Hoje fala-se mais do que nunca na robótica. Mas desengane-se quem julga que esta é uma área moderna. Há muito – ou seja, há séculos – que se fala em robôs, aqueles que foram simulação de Deuses (Egipto), formas de entreter as crianças (Europa) e até estátuas hidráulicas (Grécia). Leonardo Da Vinci, considerado por muitos um modelo do homem do Renascimento por se destacar em diversas áreas (pintura, matemática, aviação, balística, anatomia, escultura, etc.), é apontado como o responsável pela elaboração do primeiro projecto de autómato humanóide, em 1945. Porém, apesar de o primeiro projecto contar com vários anos, só em 1738 se tomou conhecimento de um autómato funcional, criado por Jacques Vaucauson, um engenheiro francês também responsável pela criação do tear. Nicola Telas, assistente de Thomas Edson e inventor da corrente alternada, é apontado por outros investigadores como o criador do primeiro robô, que foi apresentado em 1898, nos Estados Unidos da América.





Portanto, desde cedo se percebeu que a robótica, área que até aqui ainda dava os primeiros passos, implicava um envolvimento de diversas áreas. É esta a posição adoptada pelos investigadores da área da Robótica Educativa, que pretendem promover a interdisciplinariedade, não ensinando só a teoria mas "obrigando" os alunos a praticar o que aprenderam. Esta opção metodológica ajuda-os a consolidar conhecimentos e a não os "deixar escapar" depois de realizarem o teste ou outra prova a que tenham de se submeter.


A febre robótica chegou à representação em 1921, com a peça de teatro "Rossum's Universal Robots". Seguiu-se Metropolis, filme lançado cinco anos depois, que deu pontapé de saída para uma Sétima Arte rendida pelo desafio lançado por máquinas aos humanos. A modernidade trouxe-nos a saga “Stars Wars” e, mais recentemente, “I Robot”.

A ficção alimenta a imaginação, mas também pode constituir um elemento fulcral para definir o futuro de alguém.


Foi o caso de Flávia Barbosa, 17 anos, aluna da Escola Secundária de Amares, que “não achava piada aos robôs”, mas acabou por se render depois de um contacto directo com as máquinas. E mais aliciante do que construir um robô, é fazer dele um instrumento que pode ajudar o planeta.

Flávia Barbosa e outros colegas decidiram conceber um Girassol Robótico que consegue captar mais energia que os painéis solares, um melhoramento que chega a rondar os “30 por cento”.

“Hoje em dia fala-se bastante na degradação da Natureza e é um problema que nos tem que tocar a todos”, disse. Esta convicção transporta-nos para os aspectos positivos de “darmos vida às máquinas”.

A jovem quer deixar “uma pegada” e não quer ser mentora de uma “ideia passageira”. A convicção preconcebida de que a robótica é uma área de homens vê-se no seio do grupo de Flávia, o único elemento feminino.



No entanto, esta é uma tendência que parece estar a dissipar-se, já que são cada vez mais as raparigas que se interessam pela robótica e que participam em concursos de robôs. O Festival Nacional de Robótica é um bom exemplo. Este ano, no concelho da Batalha, a organização do evento congratulou-se pelo geral aumento de inscrições e pela particularidade de se ver cada vez mais meninas envolvidas no processo de construção de robôs.


Os jovens
começam a sua experiência na área com máquinas habilitadas para as modalidades de busca e salvamento, dança e futebol robótico. E se se vê mulheres interessadas em robôs aptos para o futebol, o mesmo se verifica com rapazes que se sentem mais aliciados por fazer uma máquina que esteja em sintonia com a música.



O gosto pelas máquinas não escolhe géneros nem idades. A vocação pode nascer no seio dos sonhos e do imaginário da infância, mas ganha contornos sérios, principalmente, no percurso académico. Fernando Ribeiro e Nino Pereira são investigadores da Universidade do Minho, que sucumbiram ao desafio de construir máquinas autónomas que auxiliam o Homem. A partir das suas histórias, podemos constatar que a robótica é um fenómeno em constante crescimento que, ainda hoje, encontra alguns obstáculos.

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