A típica engenheira!

terça-feira, 16 de março de 2010



Com 20 anos de existência, Elisabete Fernandes não é médica ou juíza como o pai gostaria, nem foi para a NASA como sugeria o avô. Actualmente a frequentar a licenciatura em Engenharia Electrotécnica e de Computadores, na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, tem uma “mente criativa”, como diz a amiga Sílvia Pereira, tanto que montou um robô chamado Garanhão das Sombras.

Nascida e criada na Trofa, é a mais velha de três irmãs de "forte personalidade", segundo o pai. Cada um dos cinco membros desta família têm o seu computador, numa casa onde a internet é grande amiga. A paixão da primogénita foi mais longe, levando-a a optar por um curso que a família considerava ser de homens. De facto, os próprios colegas chamam-lhe "a típica engenheira" por não se "empiriquitar" muito. Porém, a falta de vaidade não é impedimento para o atrevimento masculino: "Quando entro na faculdade e me sento à tua beira fica tudo a olhar, é um orgulho para mim", disse-lhe um dos muitos colegas do sexo oposto, numa licenciatura onde os elementos femininos quase se contam pelos dedos das mãos. É, inclusive, "raro o dia em que fale com raparigas". Usa a convivência com os homens a seu favor, sabendo o que estes dizem "por trás das mulheres", respondendo-lhes, não raras vezes, o que lhe vem à cabeça.

O gosto pela robótica não veio cedo, surgiu no ensino secundário, onde percebeu que um robô é muito mais - ou muito menos - que o que se vê nos filmes. Ruben Jesus, seu amigo há já alguns anos, define-a como "esquecida", porém persistente. A própria admite que há coisas que só faz porque tem de concluir determinada disciplina, essencial para terminar a licenciatura e seguir o seu sonho. Cátia Costa, amiga de longa data, garante que a futura engenheira nunca desiste de nada.

Não sendo adepta de nenhum clube, a Beta, como lhe chamam os amigos, lamenta o pouco tempo livre que possui, tempo esse que ocupa com a tradução de legendas de séries: “Não é nada seca”, diz. E embora seja fã das novas tecnologias e de tudo o que elas trazem, passa longe das redes sociais: “Não gosto porque não gosto!” Contudo, e como diz Sílvia Pereira, “a vida da Beta tem muito que se lhe diga!”

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